A juventude e o desporto português necessitam do melhor Tom & Jerry
- DRCA

- 29 de jul. de 2020
- 2 min de leitura

Por Fernando Tenreiro - Membro da Ordem dos Economistas nº 498
Portugal aliena a sua juventude e o seu desporto em nome dos lucros monetários parcelares de meia dúzia de personagens, empresários em nome individual, e dos benefícios políticos de curto prazo. Alguns na forma de selfies.
As crianças e os jovens são o ouro de Portugal. São o maior de todos os desafios onde o desporto se constitui como o instrumento de constituição de corpos e mentes aptos para todos confrontos desconhecidos e certos.
Os ministros das finanças fartam-se de poupar nos orçamentos do Estado que colocam no desporto usando a mentira perene da percentagem sagrada das apostas sociais e dizem que não há alternativa senão cortar as crianças e os jovens portugueses e o seu desporto devido à Troika, aos bancos, a Jeroen Dijsselbloem e a Wolfgang Shauble.
A consequência destes dislates é, por exemplo, a menorização e precarização laboral dos professores de educação física e dos treinadores desportivos, a que se seguem as leis acabando com as notas de educação física e a destruição dos clubes desportivos que são vendidos ao desbarato para gerar dinheiro na contratação, sem regras, de jogadores.
A falta de uma Visão e sem princípios consensuais gera e aprofunda a iliteracia, a ausência de políticas públicas consequentes, a nomeação de pessoas sem substância e sem Mundo, a destruição do Estado, a ausência de prestação de contas e a barbárie das praxes, das claques, das corrupções e da podridão nos clubes, a começar nos que são orgulho nacional.
Um número cada vez maior de pessoas acha a hipocrisia de política detestável e reagem no mundo e na Europa, nem sempre no sentido do bem comum ou do cálculo político curto. A pandemia trouxe sacrifícios e a obsessão das selfies ilustra a injustiça pela percepção da desigualdade aprofundada.
As crianças e os jovens são o orgulho dos seus maiores e o uso sistemático de baias na percepção entre o bem da juventude partidária e dos restantes 99,9% até pode gerar primeiros-ministros. Porém, há gerações de políticas enviesadas que anulam sobressaltos como os de Roberto Carneiro e António Guterres.
Henrique Raposo, no Expresso que fala do Gato e do Rato, referia a necessidade de uma peanha para os governantes portugueses por serem mais baixos do que os espanhóis. Melhor seria observar a peanha como os princípios de política pública e a capacidade de governar bem a juventude e o seu desporto para além da selfie com Cristiano Ronaldo e com Fernando Gomes quando conquistam resultados que movem o mundo.
A partir de Espanha não são só os reis e os primeiros-ministros que não necessitam de peanhas. Eles próprios são as peanhas das acções que engrandecem a juventude e o desporto.
As crianças e os jovens portugueses necessitam obrigatoriamente de desporto de qualidade que apenas uma relação Gato e Rato no seu melhor podem assegurar, para sossego dos pais e dos avós que votam com os pés nas próximas eleições.
Fernando Tenreiro, professor na Universidade Lusíada de Lisboa, Linda-a-Velha, 05Jul2020





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