AS RAÍZES DA COMPETITIVIDADE - A “CONSTITUIÇÃO” DA CONDURIL ENGENHARIA S.A.
- DRCA

- 5 de jul. de 2023
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Atualizado: 6 de jul. de 2023

Por René António Cordeiro - Membro da Ordem dos Economistas nº 56
(O essencial do Governo da Conduril)
Escrevo este texto em homenagem ao Eng. António Amorim Martins, fundador e PCA da Conduril Engenharia S.A. até ao seu falecimento, em Fevereiro deste ano.
Em 2019, António Amorim Martins publicou o livro com o título em rubrica, após alguns anos de vários projectos e reflexões realizadas com o signatário. Tive o privilégio de merecer a sua confiança profissional e de ter com ele partilhado uma forte amizade.
Conheci António Amorim Martins nos anos 70 do séc. passado quando, como director geral da Confederação da Indústria Portuguesa, ele era seu Director Institucional em representação da AICCOPN. Até 2000 poucas vezes nos encontrámos. Nesse ano, visitei-o oferecendo-lhe os meus serviços de consultoria de processo. Ao fim de duas ou três reuniões disse-me: estou interessado no Processo Raciocínio Estratégico que me explicou. Mas devo colocar-lhe uma questão: até agora, nunca conseguimos sair de um volume de vendas à volta dos trinta milhões de euros, maioritariamente realizados no mercado interno. O seu processo assegura-me romper esta barreira?
Respondi que não podia assegurar o que de mim não dependia: a execução da estratégia empresarial global cuja formulação o processo raciocínio estratégico proporcionaria à equipa de gestão por si dirigida. Mas assegurei-lhe a produção dos resultados que de mim (do processo) dependiam, se aplicados diligente e sistematicamente pelos responsáveis pela gestão da empresa: a opção estratégica de que resultará o estabelecimento do objectivo conceptual; a estratégia empresarial global com ele coerente; a identificação das condições a implementar, e a manter actualizadas, para a sua execução e os planos de acção adequados; a quantificação – rigorosa e com sentido – do objectivo conceptual que dirigirá a execução da estratégia e os consequentes planos de acção; o acompanhamento da execução da estratégia para prossecução do objectivo e, daí a dois ou três anos, revisitarmos a execução em curso da estratégia para avaliação da sua pertinência e introdução das correcções que entendessem necessárias. Antes desta revisita, procederiam à avaliação do projecto com base na proposta apresentada. Respondeu-me AAM: faz sentido o que me diz. Envie-me a proposta. Enviei. Foi adjudicada. Iniciámos o trabalho.
Até 2022, acompanhei-o porque decidiu contratar mais alguns projectos, designadamente no âmbito da análise de decisões que entendia dever tomar. E, acompanhei-o também porque, por sua vontade, visitava-o uma ou duas vezes por ano para, em passeios ao Douro onde tinha investido na produção de vinhos, falarmos. Eram uma espécie de sessões de coaching sempre baseadas no trabalho que tínhamos iniciado em 2000 e que se encontrava em execução formal. Terminávamos na sua casa de Gondarém em que eu apreciava particularmente a tranquilidade e a maravilhosa vista sobre o rio Minho.
Aqueles projectos, e aquelas visitas, criaram laços de amizade que se foram reforçando naturalmente.
Alguns anos após o início do primeiro projecto, a Conduril atingiu o volume de vendas definido pela Directriz de Dimensão/Crescimento estabelecida e realizado, maioritariamente, em mercados externos, como almejado. Com valores (Ética) estabelecidos e respeitados, com uma Escola de Formação geral e profissional em Angola e um Fundo de Pensões, suplementando as atribuídas pela Segurança Social, para o qual os empregados não contribuem.
Tenho saudades do amigo. E sinto-me realizado por ter contribuído para o sucesso da Conduril, correspondendo à oportunidade que me foi oferecida por António Amorim Martins.




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