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Covid-19, muito mais que um vírus

  • Foto do escritor: DRCA
    DRCA
  • 28 de abr. de 2020
  • 2 min de leitura

Por Guilherme Silva - Membro da Ordem dos Economistas nº 14679


Os tempos que vivemos carecem de adaptação e mudança numa conjuntura dominada por incerteza, dúvida e imprevisibilidade. É facilmente identificável, em termos quantitativos (previsionais e reais), a coexistência de duas épocas distintas separadas por um curto horizonte temporal – “Pré-Covid” e “Pós-Covid”.

Como sabemos, os indicadores macroeconómicos assim como os financeiros e de consumo decorrentes das atividades sectoriais, públicas ou privadas de países, empresas e famílias vão oscilando tendo em conta variáveis endógenas e exógenas. Hoje em dia é possível verificar a causalidade nas repentinas flutuações dos mercados, aliadas às inúmeras turbulências de sazonalidade que vão condicionando a tomada de decisões e dificultando o desenvolvimento estratégico.

Não obstante, urge referir que o PIB português é principalmente movido pelo consumo privado (62%) e pelas exportações de bens e serviços (44%), ambos afetados colateralmente pela pandemia. Face a este momento é essencial refletir na reindustrialização do país, tendo por base a pirâmide de Maslow do ciclo económico, ou seja, pessoas vivas garantem consumidores ativos e as empresas em funcionamento traduzem mercado emrpeendedor.

Neste sentido, o modus operandi de gestão rivaliza contra a variável tempo, isto é, o tecido empresarial terá de se reinventar na sua forma e conteúdo, de modo a que as suas rotinas, métodos e dinâmicas não coloquem em causa o princípio da sustentabilidade financeira e da produtividade do capital humano.

Simultaneamente, é possível colher frutos das “revoluções industriais” que têm pautado a sociedade tecnológica, pois sem a designada Indústria 4.0 caracterizada pela descentralização de processos e mediada pela simplificação da cadeia de produção e logística, permitiu uma interação entre o digital e o real, fortalecendo assim um smart auto-controlo e monitorização de dados, acompanhando as sucessivas tendências de mercado.

Paralelamente à inovação tecnológica, a liquidez é outro pilar que não pode ser deixado de parte desta complexa e dinâmica equação.

No caso europeu, onde estamos incluídos, as ditas “bazucas” tardam a aparecer e as munições distribuídas pelo Eurogrupo parecem não chegar a todas as “trincheiras”, pois deparamo-nos, inevitavelmente, com o clássico paradigma financeiro, ou seja, na zona Euro não há a emissão de moeda, mas sim injeção de liquidez, na forma de empréstimos que originam dívida, ao contrário do que acontece, por exemplo, com o banco de Inglaterra, FED, Japão entre outros.

Desta maneira, ao invés do que referem vários especialistas que defendem um custo zero na capitalização e financiamento excecional, recordamos as palavras do ministro de Estado e da Economia, Pedro Siza Vieira, “As despesas do Estado de hoje são impostos amanhã”. Será esta a realidade pós pandémica?

 
 
 

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