Critérios ESG e sua criação de valor nas empresas
- DRCA

- 14 de mar. de 2022
- 5 min de leitura

Por Valter Borges - Membro da Ordem dos Economistas nº 13208
O seu negócio como qualquer outro negócio está estreitamente interligado com preocupações ambientais, sociais e de governança (ESG[1]). Faz sentido que as empresas que respeitam estreitamente os critérios ESG que criem mais valor para a mesma. Mas afinal o que são os critérios ESG:
O “E” em ESG, significa o critério Ambiental, que inclui a energia que uma empresas consome, os resíduos que uma empresas emite, os recursos que necessita para manter a sua atividade e as consequências da sua existência para os seres humanos. Para além disso o “E”, abrange as emissões de carbono e alterações climáticas. De facto, todas as empresas precisam de energia e recursos e todas as empresas afetam e são influenciadas pelo meio Ambiente;
O “S” ou critério social, aborda as relações e reputação que a empresa cria com as pessoas e instituições junto das comunidades onde faz negócios. O “S” engloba também as relações laborais, diversidade e inclusão. Na realidade, todas as empresas relacionam-se com uma sociedade ampla e diversificada.
O “G” ou critério de governança, inclui o sistema de práticas, normas e procedimentos internos que a empresas adota de forma funcionar no seu quotidiano, como a forma como toma decisões, o respeito pela lei e a satisfação das expetativas dos stakeholders. Qualquer companhia que tem representação legal, requer governança.
[1] ESG é a sigla anglo-saxónica utilizada para referir Environment, Social e Governance ou em português para Ambiente, Social e Governança Corporativa.
Critério ESG. O que significam?

Dado que os fatores ou critérios ESG são parte indissociável de como as empresas operam no mercado, os seus elementos individualmente estão interligados. Por exemplo, os critérios sociais e critérios ambientais estão interligados quando a empresa procura respeitar as leis ambientais e ter maiores preocupações com sustentabilidade. Apesar, do nosso foco incidir mais sobre os critérios ambientais e sociais quando abordamos a questão da sustentabilidade, a governança está inevitavelmente interligado com esta decisão e da forma como se efetua esta decisão. O aumento da preocupação com sustentabilidade na forma de operar das empresas pode ser assumido ou por um mero e-mail interno ou por um comunicado de imprensa. O tipo de governança de uma empresa, tendo em conta, o respeito sobre as leis ambientais, difere entre o diálogo e transparência com os reguladores e a mera descrição dessa preocupação no relatório de contas e que os seus resultados falem por si.
Pensar e agir conforme a proposição ESG de uma forma proativa tem se tornado cada vez mais importante para as empresas. Os especialistas e peritos na área confirmam que as empresas que agem com foco nos critérios ESG criam valor para empresa e salvaguardam o sucesso de longo prazo. Alguns estudos apontam para que uma forte proposição ESG está positivamente correlacionada com maiores ROE[1], e por outro lado, negativamente correlacionados com o risco operacional da empresa.
Quando se pensa em adotar fortemente os critérios ESG, pensa-se em cinco maneiras de criar para valor para empresas que se gere. Nem todos estas maneiras de criar valor que vou apresentar se aplicam do mesmo modo nas empresas, a sua aplicabilidade varia de setor para setor ou localização geográfica, de qualquer forma os cinco se aplicam independentemente do modelo de negócios da empresa em causa.
[1] Sigla anglo-saxónica de Return-on-Equity ou Rentabilidade dos Capitais Próprios.
i. Crescimento de topo
Uma forte aposta nos critérios ESG ajuda as empresas a encontrar novos mercados e a expandir para mercados já existentes. Quando as autoridades governamentais confiam nas empresas, é mais provável que as últimas concedam o acesso, licenças e autorizações para novas oportunidades de crescimento ou mercados já existentes. As relações com os consumidores melhoram, principalmente com aqueles que procuram produtos mais sustentáveis. Estudos indicam que existem consumidores que não se importam de despender mais um 1€ para adquirir produtos “verdes” ou de empresas que manifestamente têm preocupações ambientais. Esta aposta na sustentabilidade pode trazer oportunidades de crescimento que não existiriam caso a empresa ignorasse os fatores ESG.
ii. Reduções de Custos
A aposta na proposição ESG também ajuda à redução dos custos. Entre outras vantagens, executar os fatores ESG efetivamente permite o combate ao aumento das despesas operacionais, nomeadamente através o controlo dos custos com água, matérias-primas e emissões de carbono. Segundo os especialistas da McKinsey, observou-se em vários setores de mercado, que as empresas com maiores preocupações com os critérios ESG demonstram uma maior eficiência de recursos e consequentemente um melhor desempenho financeiro.
iii. Menos intervenções legais e regulatórias
Sem dúvida que uma forte aposta nos critérios ESG na atividade da empresa proporciona uma maior liberdade estratégica e uma menor pressão regulatória. De facto, é possível observar ao longo de vários setores e localizações geográficas que a aposta na proposição ESG reduz o risco de ação adversa das entidades governamentais (ex: regulação, legislação, etc.) provocando até um maior apoio das últimas. Esta vantagem pode trazer benefícios maiores que os esperados nos resultados das empresas, visto que a intervenção estatal normalmente provoca grandes reduções dos lucros das empresas.
iv. Aumento da produtividade dos trabalhadores
Uma empresas que apresenta uma proposição forte nos fatores ESG tem mais capacidade em reter e atrair trabalhadores de qualidade, sendo um fator de motivação para os trabalhadores ao criar um sentido de missão e assim aumentar a produtividade dos trabalhadores no geral. Ora, o aumento da motivação e produtividade dos trabalhadores são boas notícias para a empresa pois esta está normalmente positivamente correlacionada com aumento do Resultado Líquido e ROE. Estudos recentes revelam que os trabalhadores que não estão somente satisfeitos com o seu trabalho, mas que tem um sentido de missão têm melhor desempenho. Quanto maior for a perceção do trabalhador que o seu trabalho irá gerar impactos positivos na sua vida, ou seja, que eles se tornam beneficiários do seu trabalho maior será a sua motivação para agir de uma forma social com os respetivos benefícios para as suas empresas.
v. Investimento e Otimização de Ativos
A forte adoção dos critérios ESG pode aumentar o ROI[1] das empresas, pelo fato de incentivá-las a alocar os seus investimentos em oportunidades mais promissoras e mais sustentáveis (por exemplo, energias renováveis, eficiência energética, economia circular, reciclagem, etc.). Também pode ajudar as empresas a evitar investimentos irrecuperáveis que podem não compensar devido a questões ambientais de longo prazo. A abordagem de manter uma política de investimentos da empresa que não considera os fatores ESG tem várias desvantagens que irão retirar valor de longo prazo da empresa. Continuar a depender de fábricas e equipamentos que são grandes consumidores de energia, por exemplo, pode significar deitar dinheiro ao lixo no médio e longo prazo. Apesar dos investimentos necessários para atualizar a parte operacional das empresas seja substancial, optar por esperar e ver pode ser a opção mais cara de todas. As regras do jogo estão a mudar: as respostas regulatórias à emissão de gases de efeitos de estufa (GEE), provavelmente afetarão os custos com a energia; e, poderão afetar especialmente os balanços patrimoniais das indústrias mais intensas em emissões de carbono. A única maneira de antecipar esta tendência de descarbonização das indústrias é as mesmas começarem já a otimizar os seus ativos e apostar na sua sustentabilidade.
Agora que já foram apresentadas as cinco maneiras dos critérios ESG criarem valor para as empresas, gostaríamos de referir que a sua adoção deve ser prática e realista. Deve ser prática, na medida que deve ser uma mensagem de Topo para toda a empresa. A adoção dos critérios ESG, têm influência em toda a atividade e na própria identidade da empresa, como a tal, esta nova cultura empresarial deve ser iniciada com uma mensagem do CEO ou Diretor-Geral da empresa e ser vista de cima para baixo. Por outro lado, os líderes das empresas têm que ser realistas em relação aos benefícios de uma forte proposição ESG: “ser ponderado e transparente em relação aos critérios ESG aumenta o valor de longo prazo da empresa, mesmo que isso possa parecer desconfortável ou doloroso no curto prazo”.
[1] Sigla anglo-saxónica de Return-on-Investment ou Rentabilidade dos Ativos





Comentários