Empresas vencedoras da Guerra na Ucrânia
- DRCA

- 17 de mar. de 2022
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Por Jorge Fonseca de Almeida - Membro da Ordem dos Economistas nº 1083
Enquanto no terreno o povo ucraniano sofre, foge e morre, enquanto as tropas ucranianas e russas se afrontam num combate desigual mas mortal para os dois lados, enquanto as sanções atingem com violência a economia alemã e por arrasto o tecido industrial europeu, enquanto a inflação dispara, enquanto o espetro da fome se avizinha da Europa com o corte do fornecimento ucraniano e os boicotes às importações russas, algumas empresas têm conseguido navegar com sucesso neste ambiente caótico e aproveitado as sangrentas oportunidades que a guerra oferece.
Desde logo as empresas americanas de petróleo e gás que, desde há muito, pretendiam substituir a Rússia como fornecedora destas energias primárias à Europa. Esta é uma guerra à medida das suas maiores ambições. O North Stream 2 foi encerrado quando se preparava para entrar em funcionamento e a Alemanha viu gorado o fornecimento de gás a preços moderados que iria impulsionar a sua economia. Agora as grandes alternativas serão o gás americano, muito mais caro, ou as energias renováveis ainda mais caras que o gás americano. Um grande recuo para a produtividade alemã e europeia.
Por outro lado, com a decisão de proibir as importações de petróleo e gás russos, as empresas americanas deixam de enfrentar a concorrência do gás russo nos Estados Unidos, libertando-se de um concorrente sério.
Empresas como a Exxon Mobil e a BP são já grandes vencedoras desta guerra, mas também toda uma fileira de empresas americana de extração, liquefação e transporte oceânico de gás. Este por seu lado irá impulsionar a construção naval americana. Nada mau. E sem disparar um tiro.
Esta situação vai adiar os projetos de desenvolvimento significativo de energias verdes e, provavelmente, iremos ter notícias contraditórias sobre a questão do aquecimento global.
Um segundo grupo de empresas vencedoras são as produtoras de equipamentos militares, nomeadamente mísseis, aviões, submarinos, equipamentos de transmissões, etc.. A pretensão longamente acalentada pelos EUA de obrigar os seus parceiros da NATO a gastar 2% do PIB em armamento vai, provavelmente, concretizar-se. Muitos países da NATO já anunciaram compras muito significativas e o desejo de se rearmar massivamente.
E essa enorme expansão da procura de equipamentos militares vai ser, essencialmente, satisfeita pelas empresas americanas. As cotações de empresas como Lockheed Martin, Raytheon, Boing, Northrop Grumman, General Dynamics e outras dispararam, metaforicamente é claro, nos últimos dias.
Temos, pois, um segundo cluster industrial americano claramente vencedor e em expansão acelerada graças à desgraça ucraniana.
Na arte do xadrez muitas vezes os grandes mestres sacrificam uma peça de valor para conseguirem um desenlace favorável. Nesta guerra a Ucrânia, liderada por um presidente corajoso mas ingénuo e inexperiente, foi a peça sacrificada. Os vencedores são claramente os Estados Unidos e as suas indústrias. Eis como se faz a re-industrialização americana.




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