top of page

Liberalizar ou Proteger: eis a Questão

  • Foto do escritor: DRCA
    DRCA
  • 21 de abr. de 2023
  • 2 min de leitura

Por Jorge Fonseca de Almeida - Membro da Ordem dos Economistas nº 1083


No que respeita ao comércio internacional, as nações seguem ciclos de fechamento e abertura, fechando os seus mercados, protegendo-os, quando precisam de reganhar competitividade e de abertura quando já são suficientemente fortes para vencer nos mercados internacionais. A liberalização não é, pois, um princípio escrito na pedra, mas uma ferramenta da política económica a usar quando as condições são favoráveis. Naturalmente as grandes potências quando têm interesse na abertura de fronteiras procuram impô-la aos países que nisso não vêm vantagem.


Os Estados Unidos estão agora, na sua competição com a China, numa fase em que buscam proteger o seu mercado uma vez que se têm deixado atrasar em muitos domínios. Assim a política americana assenta num misto de liberalismo e protecionismo. Liberalismo nas áreas em que permanecem fortes e relativamente a certos países mais fracos, protecionismo em relação a outros setores e países. Esta situação é explicada ao mundo com o argumento da conjunção de dois princípios contraditórios o do liberalismo económico e o da soberania económica. Com o passar do tempo o princípio da soberania económica vai ganhando cada vez mais peso.


A China está numa trajetória totalmente inversa. Tendo sido um país, após a revolução de 1949, muito fechado à medida que se desenvolve uma velocidade alucinante tem vindo a abrir-se ao mundo a ponto de ser o principal parceiro económico de cada vez mais países ao mesmo tempo que atrai investimento estrangeiro para si.

Recentemente Memg Wei, o porta-voz da Comissão Nacional para o Desenvolvimento e a Reforma na China, anunciou que mais setores económicos serão abertos ao investimento direto estrangeiro, permitindo que empresas de outros países se venham instalar na China e competir livremente com as empresas chinesas.

Esta abertura acontece no momento em que as empresas chinesas reforçadas pelo protecionismo são já suficientemente fortes para aguentar a concorrência estrangeira, sem por em causa a soberania económica, o emprego ou mesmo a produção dos bens cujo mercado se protegia. É um sinal de vitalidade e força da indústria chinesa que cada vez mais não precisa de ser protegida, um sinal de competitividade e de domínio da técnica de ponta em cada vez mais áreas e setores económicos.


Estes dois caminhos de sentido contrário, a cada vez maior abertura chinesa e o progressivo protecionismo americano associam-se ao nível estratégico ao dinamismo económico e à retração. São posicionamentos estáveis, de longo prazo e que já estão a moldar a economia e as relações internacionais.


A União Europeia, integrada no ocidente, área de influência direta americana, terá tendência de se abrir às exportações americanas, fechar-se progressivamente à China e aceitar restrições no seu comércio com os Estados Unidos. E, internamente, como a própria União está a perder competitividade, veremos ressurgir em força a subsidiação direta de muitas indústrias pelos estados nacionais, em total desacordo com as antigas regras do mercado comum. Este é o quadro, nada favorável aos interesses europeus, que se está a desenhar atualmente e que a guerra na Ucrânia veio acelerar.



 
 
 

Comentários


Formulário de Assinatura

21 392 9470

©2020 por drcablog. Orgulhosamente criado com Wix.com

bottom of page