O desporto praticado pela juventude é um activo estratégico vital
- DRCA

- 29 de jul. de 2020
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Por Fernando Tenreiro - Membro da Ordem dos Economistas nº 498
Fala-se do desenvolvimento estratégico de Portugal enquanto o investimento no factor de produção fulcral, o capital humano jovem, é adiado por não haver dinheiro.
A Europa investe na juventude e no desporto para ter desempenhos vitais. Portugal tem as selfies do governante com o campeão desportivo e foge ao investimento de longo prazo.
O Modelo de Desporto Português está falido apesar dos resultados positivos do futebol.
No lado positivo, os ginásios e academias são procurados por quem tem rendimentos e a literacia certa e o futebol demonstra que a colocação dos ovos da política pública no seu cesto, tem resultados na geração de jogadores, treinadores, árbitros, dirigentes, especialistas, investigadores e empresários de relevância mundial.
No negativo, os exemplos abundam se se recusar o “lápis azul” em vigor.
Primeiro – as estatísticas do Eurobarómetro demonstram que Portugal tem taxas baixas de prática desportiva a nível europeu. Sem prática desportiva o sedentarismo, a obesidade e outras doenças começam nos jovens e avolumam-se nos carenciados adultos. A falta de prática desportiva nos clubes locais gera o discurso do ódio de parte dos grandes clubes.
Segundo – o Sindicato de Jogadores analisou o Campeonato de Portugal e mostra o incumprimento salarial, a actuação de “empresários” que destroem clubes e falseiam campeonatos, lavam dinheiro, traficam jogadores, promovem a imigração ilegal, fomentam o assédio laboral e o match-fixing e destroem a cadeia associativa de formação dos jovens.
Terceiro – o atletismo que já demonstrara haver em Portugal capital humano de nível olímpico foi destruído pelas políticas públicas. As vitórias dos anos 90 não se repetiram e a diferenciação das disciplinas, gorou-se.
Quarto – desde 2017 as federações alertaram para a falência dos seus clubes, o que o sindicato de jogadores agora ilustra, e os seus direitos constitucionais foram agredidos. Este alerta foi ignorado pelo comité olímpico, confederação e organizações do Estado.
Quinto – os alertas surgidos da Plataforma do Desporto Federado, em 2017, das modalidades de pavilhão e do presidente da federação de futebol, em 2020, não suscitaram o sobressalto das organizações desportivas de topo, contribuindo para o oblívio “estratégico” no plano do governo de que se queixa, agora, o comité olímpico.
O investimento no potencial dos jovens através do emprego qualificado dos seus profissionais e a densificação qualitativa do tecido associativo desportivo deveriam ser usados como fulcro da produtividade escolar, académica e empresarial.
Corajosamente o associativismo desportivo deveria exigir aos partidos o apoio à reforma do seu comité olímpico e da sua confederação, da fundação do desporto, etc.
Fundamentando-o cientificamente, o associativismo desportivo deveria declarar que a estratégica de desenvolvimento nacional começa na política desportiva destinada à juventude.
Fernando Tenreiro, professor da Universidade Lusíada de Lisboa, 13Jul2020, fjstenreiro@gmail.com





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