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Pandemia COVID-19: Origens e teorias à volta desta crise!

  • Foto do escritor: DRCA
    DRCA
  • 12 de jun. de 2020
  • 5 min de leitura

Por Valter Borges - Membro da Ordem dos Economistas nº 13208


Encontramo-nos em meados de fevereiro de 2020 em portugal e subitamente surge uma pandemia na Europa cujo o responsável é um vírus de nome “Coronavírus” ou COVID-19, que já se falava da sua severidade na cidade de Wuhan (China) em novembro de 2019. O vírus teve origem no continente asiático mas alastrou-se de uma forma galopante em toda a europa e nos restantes continentes no princípio de 2020. Quandos demos por nós em março de 2020, estavamos obrigados a estar confinados em casa, a efetuar esforços de higiene redobrados, a usar máscara nas ruas ou sempre que tinhamos que fazer as compras básicas para sobreviver, sem acesso ao comércio local, restaurantes, hotelaria, serviços públicos, escolas, ou seja, basicamente quase a tudo a que estamos a habituados a viver. As empresas foram obrigadas a fechar portas temporariamente, os trabalhadores a habituar-se ou à regime de teletrabalho ou à situação ‘lay-off´ à espera que a crise do COVID-19 cessace os seus efeitos. Os números falam por si, Itália foi o país mais afetado da europa, tendo até 29 maio de 2020, já 33 142 mortes confirmadas, seguido da França e Espanha com 28 662 e 27 119, respetivamente. Portugal tem um número de Óbitos confirmados bastante menor, registando até ao momento apenas 1 369 mortes por COVID-19. Este número, tem sido apresentado pela Direção-Geral de Saúde (DGS) como um fator de sucesso das medidas implementados por este governo.


Até ao momento, muito se tem falado da origem do vírus COVID-19 (SARS-CoV-2), se é apenas uma crise sanitária ou se o seu aparecimento vai para além daquilo que vemos no nosso quotidiano ou da mera visão do cidadão mais incauto. Na minha opinião, podem existir três origens para aparecimento da crise epidémica COVID-19 em Portugal e em todo mundo:


i. Fracas condições higiénico-sanitárias - O aparecimento de um surto viral de rápida propagação e altamente mortífero como o “Coronavírus” não é novo na história das crises pandémicas mundiais. No século XIV, surgiu a conhecida epidemia da Peste Negra (causada pela bactéria Yersina pestis), ao que tudo indica, transmitida ao ser humano por picada de pulgas e piolhos em uma época em que as condições higiénicas e sanitárias eram débeis. A designada “Peste Negra”, teve efetivamente, repercussões nefastas no continente asiático (de onde foi originária) e europeu, sobretudo, entre o período de 1346 e 1353, sendo responsável pela morte de 25 milhões de pessoas só na Europa, o que correspondia a cerca de um terço da população neste continente. Em Portugal, a bactéria Yersina pestis, começou a provocar mortes em 1348, estima-se que esta epidemia causou a morte de cerca de um terço a população portuguesa, fazendo mergulhar o país em uma grave crise demográfica e económica à semelhança dos restantes países europeus. Os surtos de peste negra, continuaram a assolar, periodicamente, diferentes partes do globo, com maior ou menor intensidade, desde século XIV até ao século XIX. A Peste Negra ainda permanece nas memórias da humanidade como o surto viral mais mortífero de toda a história. No século XX, finais 1918, mundo teve de enfrentar outra pandemia altamente mortífera, a gripe pneumónica (também conhecida por gripe espanhola), causada por uma estirpe do vírus Influenza A, subtipo H1N1, altamente contagioso e particularmente agressivo causador de pneumonias. Estima-se entre os anos de, 1918 e 1919, esta pandemia tenha provocado cerca de 50 a 100 milhões de vítimas mortais em todo o mundo. Mais uma vez Portugal não foi exceção, tendo-se verificado aproximadamente 135 000 mortes, isto é, cerca de 2% da população existente no momento. O surgimento do vírus em Portugal deixou exposto as fragilidades das condições de assistência médica e do sistema higiénico-sanitária do país. No século XXI, com condições higienico-sanitárias e de assistência médica sobejamente bastante mais evoluidas do que nos séculos XIV a XIX, altura em lembramo-nos das pandemias “Peste Negra” e “Gripe Pneumónica”, surge de um novo vírus também mortífero, o COVID-19 (SARS-CoV-2) ou como é frequentemente chamdo de “Coronavírus”, mas cujos os números não se aproximam dos milhões de pessoas. Até maio de 2020, o Coronavírus já matou 300 mil pessoas e infetou 4,3 milhões de cidadãos em todo o mundo, números bastantes mais reduzidos dos que os verificados nas Pandemias anteriores. De certo, que a chamada 4ª revolução industrial ou Industria 4.0, que se caracteriza pelo Internet das Coisas , inteligência artificial, biotecnologia, nanotecnologia e Big Data tiveram o seu papel no número menos expressivo de mortes verificados quer na rapidez com que os estamos a controlar. A Internet das Coisas e o Big Data, fornecem ao ser humano, uma quantidade informação inimaginável possibilitando aos médicos e cientistas imensa informação, as tecnologias de informação facilitam a comunicação nas diversos continentes do mundo e assim podemos dormir mais descansados perante o reaparecimento de vírus ou batérias letais como a Yersina pestis, Influenza A ou COVID-19;


[1]ver "Tracking SARS-CoV-2: Map, data and timeline", BNO News (18 February 2020)


ii. Aumento descontrolado da degradação ambiental - Após o Acordo de Paris em 2015, em que os principais líderes mundiais acordaram implementar medidas para reduzir das emissões dos Gases de Efeitos de Estufa (GEE) e assim conter o aumento da temperatura média mundial abaixo do objetivo de 2ºC e preferencialmente em 1,5 ºC que têm surgido várias alertas de que as medidas tomadas não são suficientes para cumprir este acordo. Segundo, o relatório Emission Gap Report , se as medidas em vigor se mantiverem estaremos longe de conseguir reduzir as emissões de GEE ao nível pretendido e assim controlar o aquecimento médio global em torno dos 2ºC. A degradação ambiental verificada no mundo moderno, não se materializa apenas no aumento da temperatura e nas Alterações Climáticas mas também na acelerada delapidação dos recursos do Planeta devido aumento da População mundial, no nível de vida que os Consumidores estão a adoptar, e ainda, no modo de produção industrial pouco circular e praticamente linear. O confinamento exigido pelo COVID-19, apesar de aparentemente não estar relacionado com a redução dos GEE exigido pelo Acordo de Paris ou das medidas adoptadas pela Comissão europeia em matéria de Economia Circular, vem dar uma ajuda ao ajustamento das medidas tomadas e ao abrandamento da economia;



iii. Proliferação de ativos financeiros tóxicos - É impressionante que depois do colapso financeiro de 2007-2008 nos EUA que desencadeou uma crise financeira mundial de quase 10 anos (até 2018), conhecida como a crise de Subprime devido à criação descuidada de instrumentos financeiros tóxicos que criaram enormes buracos nos ativos das principais as Instituições financeiras mundiais e ao encerramento do famoso banco norte-americano sediado em Nova Iorque Lehman Brothers que estão aparecer novamentes alguns produtos financeiros de risco para a economia mundial. Se na crise de 2008, os bancos norte-americanos, começaram a conceder empréstimos hipotecários de elevado risco, de imóveis quase sem valor no seu balanço e a emitir produtos como Credit Default Swaps e Fundos de Investimento com base nestes ativos, que se estão a proliferar nas instituições financeiras a criação produtos financeiros “verdes”. Os produtos financeiros ditos “verdes” são soluções financeiras que visam financiar projetos de cariz ambiental e que têm além preocupações financeiras preocupações com a sustentabilidade ambiental. Mas até que ponto, este empréstimos e produtos financeiros não virão a ser ativos tóxicos. O abrandamento da economia e o vírus COVID-19 poderão ser uma alerta para os responsáveis das instituições financeiras do risco que estes ativos poderão ser para o sistema financeiro.


[1] A internet das coisas têm origem anglo-saxónica , designada por ‘Internet of the Things’

[1] Big data significa base de dados de grande dimensão

[1] O Emissions Gap report é um relatório do programa ambiental das Nações Unidas

[1] Subprime, é a expressão anglo-saxónica de emprestimos hipotecários de alto risco


 
 
 

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