Portugal no fio da navalha: que rumo para o país?
- DRCA

- 12 de jun. de 2020
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Por Jorge Fonseca de Almeida - Membro da Ordem dos Economistas nº 1083
De acordo com as projeções da OCDE, Portugal é um dos países em que a atual crise económica vai ser mais profunda e mais desestruturante do tecido económico e social.
No cenário mais benigno o recuo do PIB será de 9,4% atirando o país para a pobreza do início do século. Tal é a magnitude da crise. Vinte anos de magro crescimento apagados em poucos meses. Uma construção com pés de barro, castelo de areia levado pelo mar.
Estima-se uma redução média de 7,5% do PIB nos países da OCDE mas essa média esconde variações muito grandes. A Coreia, que respondeu à pandemia à chinesa terá uma redução de apenas 1,2% i.e. uma crise ligeira e passageira, por outro lado a Espanha que respondeu de forma desastrosa ao coronavírus terá em simultâneo com milhares de mortos evitáveis a maior descida do PIB:- 11% um verdadeiro desastre económico.
A China sofrerá apenas uma perca de 2,6% do PIB. Na Europa o país menos atingido será a Dinamarca com uma redução de 5,8%.
Acresce que no cenário mais provável, de duas vagas da pandemia, então a queda do PIB do nosso país atingirá os 11,3% nas previsões da OCDE.
Ao comparar estes resultados não podemos deixar de admirar a resposta asiática, da China, Japão, Coreia, Taiwan e outros, que salvou vidas e salvaguardou a economia. Segredo: o uso de máscaras desde o início e a quarentena precoce não deixando a doença alastrar. Um bom exemplo que deveremos seguir se uma próxima vaga se declarar.
E a resposta da União Europeia à crise também não foi a melhor. Primeiro a falta de solidariedade completa, deixando a Itália isolada à mercê da doença. Recordemos que a primeira ajuda a esse país chegou da … China. Depois uma longa e repugnante discussão entre frugais e porcos (PIGS), em que os porcos somos nós portugueses ladeados por gregos, italianos e espanhóis. As designações já traduzem uma animosidade clara. Finalmente com a crise em casa os frugais aceitam apoios mas na forma de empréstimos. Uma alternativa que países, como Portugal, já muito endividados terão a maior dificuldade em pagar e procurarão não utilizar. É certo que há uma fatia a fundo perdido mas ainda não está disponível nem regulamentada.
Finalmente uma confusão estratégica em que o país não sabe para onde se reorientar. O turismo a maior aposta económica dos últimos anos afundou-se com estrondo, com o Algarve a exibir em Abril uma taxa de ocupação hoteleira de 1% – um (!) porcento (!!). Que atividade poderá substituir o turismo como alavanca de crescimento nos próximos anos?
Francisco Assis profetizou que o Governo do Partido Socialista e do Bloco de Esquerda levariam o país para o grupo dos três países mais pobres da União Europeia. Pelo andar a carruagem é provável que venha a ter razão.
O otimismo esfusiante de Marcelo e Costa, de que tudo estará bem em dois tempos, parece não fornecer o estado de espírito necessário para que a sociedade veja a crise em toda a sua magnitude, a discuta e decida o rumo a seguir.




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