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Recessão

  • Foto do escritor: DRCA
    DRCA
  • 15 de nov. de 2022
  • 2 min de leitura

Por Jorge Fonseca de Almeida - Membro da Ordem dos Economistas nº 1083


Apesar do otimismo do Governo, prevendo crescimento económico para 2023, a verdade é que a recessão e o seu cortejo de empobrecimento, fome, despejos, desemprego, emigração estão já entre nós.

A receita ocidental de aumentar as taxas de juro para controlar a inflação provoca imediatamente uma travagem do investimento, da atividade económica e, consequentemente, uma recessão. Uma recessão que será de caráter mundial. Não vale a pena olhar para a guerra, a recessão é causada intencionalmente com a subida das taxas de juro.


É preferível a inflação? Entre dois males como esses venha o diabo e escolha. Seriam preferíveis outras medidas para combater a inflação? Sem dúvida. Havendo demasiada procura para a oferta, esse é o cerne da inflação, a solução passaria pelo aumento da oferta, ajustando assim os dois lados da equação. Prefere-se a solução das taxas de juro porque visa proteger o valor dos capitais.

A recessão que nos espera terá caráter profilático, curto e passageiro recolocando a inflação rapidamente nos famosos 2%, ou pelo contrário espera-nos uma recessão longa, profunda e dolorosa?

A resposta chega-nos do Banco de Inglaterra, que ao anunciar a subida das taxas de juro da libra para 3% esclareceu que a recessão será a mais duradoura recessão desde a crise dos anos 30. Para este ano, 2022, o Banco de Inglaterra prevê uma redução do PIB inglês de 0,75% e uma inflação de 11%. O Banco de Inglaterra (BoE) prevê também uma redução do PIB durante o ano de 2023, situação que se prolongará no primeiro semestre de 2024. Prevê-se, assim, mais quase dois anos de recessão, antes que a economia recomece a crescer (ver o relatório do Comité Monetário do BoE aqui).


As estimativas do BoE para o desemprego apontam para uma subida persistente e prolongada do desemprego nesse país que passará dos atuais 3,7% para os 6,4% em finais de 2025.


Portugal não está inume a esta grande recessão mundial. País periférico as ondas de choque demoram um pouco a atingir-nos mas quando o fazem os seus efeitos são mais devastadores e a recuperação mais lenta - recorde-se os efeitos da pandemia nos anos 2019-2022. É o que nos espera. Uma crise mais profunda e mais duradoira do que a inglesa.

Em conclusão, Portugal deve preparar-se para o grande embate e não fingir que 2023 será um ano cor-de-rosa. Nada o indica. Tudo aponta em sentido contrário.

Assim, se é empresário adie investimentos, a altura é de contração de mercados e não de expansão, se tem casa hipotecada venda-a antes que deixe de puder pagar as prestações, se é trabalhador emigre o quanto antes, se é reformado com pensão média mude-se para um país mais barato, por exemplo Marrocos. Se pretende continuar por cá prepare-se para continuar a apertar o cinto, adira a um sindicato, vá para a rua protestar.



 
 
 

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