Solidariedade com a Guiné-Bissau
- DRCA

- 18 de abr. de 2022
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Por Jorge Fonseca de Almeida - Membro da Ordem dos Economistas nº 1083
Portugal deve à Guiné-Bissau, a Amílcar Cabral, ao Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e ao povo guineense, o 25 de Abril. Se bem que enfrentando lutas de libertação armadas em Angola e em Moçambique, foi acima de tudo a derrota militar do regine de Marcelo Caetano na Guiné que fez desabar o Estado Novo e contribuiu decisivamente para restabelecimento da democracia em Portugal depois de um longo período de ditadura.
Este sentimento de gratidão obriga-nos a estar solidários com o povo guineense e também com o PAIGC, se bem que este último seja já uma pálida imagem da organização fundada por Amílcar Cabral. Por isso queremos hoje expressar a nossa preocupação com os recentes acontecimentos nesse país irmão, nomeadamente com as perseguições de que tem sido alvo o PAIGC.
O Partido, atualmente liderado por Domingos Simões Pereira, tem sido impedido de realizar o seu Congresso, os seus militantes têm sido perseguidos, a polícia de choque invadiu a sua sede e agrediu as pessoas presentes.
A par com a repressão política vive-se um clima de insegurança. A Plataforma dos Movimentos Sociais, que reúne várias associações civis, denunciou as "ondas de raptos de cidadãos, espancamentos e prisões".
A perseguição estende-se aos pequenos órgãos de comunicação social local e independente com o encerramento compulsivo de 79 rádios comunitárias, as que emitem nas línguas locais e são agentes de desenvolvimento regional, nomeadamente divulgando novas técnicas agrícolas e novos cuidados de saúde, nomeadamente os referentes à Covid.
Todo este clima de repressão política e social tem como pano de fundo uma profunda crise económica e uma incapacidade das elites governamentais lideradas pelo autoproclamado Presidente, o General Sissoco Embaló, de encontrar caminhos que permitam à Guiné-Bissau desenvolver-se. Quase meio século depois da independência a Guiné-Bissau mantém-se no lugar de pobreza e subdesenvolvimento para o qual o colonialismo português a relegou.
A nossa preocupação e solidariedade deve traduzir-se num apoio político a todos os que na Guiné-Bissau e na diáspora lutam por uma pátria livre, justa e desenvolvida económica e socialmente.
A opinião pública portuguesa deve estar atenta e fazer chegar uma mensagem clara aos responsáveis estatais guineenses de que não podem continuar a reprimir e a oprimir o seu povo.
No mês em que comemoramos o 25 de Abril não podemos esquecer a Guiné e o seu povo.




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