Taxas de juro
- DRCA

- 5 de jul. de 2022
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Por Jorge Fonseca de Almeida - Membro da Ordem dos Economistas nº 1083
A reserva federal norte-americana subiu as taxas de juro do dólar em 0,75% uma percentagem que parece pequena mas que é a maior desde há décadas. Com uma taxa de remuneração mais alta os capitais afluem ao dólar desvalorizando as outras moedas, incluindo o euro. Face a essa situação os países têm duas opções ou aceitam a desvalorização da sua moeda ou sobem também as suas taxas de juro. Esta parece ser a opção da Alemanha que vai forçar a subida de taxas do Euro.
Estas subidas de taxas estão intimamente ligadas ao descontrolo inflacionário provocado pelos sucessivos pacotes de ajuda às empresas nos Estados-Unidos e na Europa a propósito da pandemia em curso de Covid-19. Esta situação, a inflação na zona euro disparou para os 8%, que já aqui previmos em Outubro (aqui) tem como consequência, na ausência de opção por outra política, um novo ciclo de austeridade pública e privada. Veja-se o caos hospitalar que vivemos por falta de investimento na simples substituição dos recursos humanos que vão saindo, por reforma, por emigração ou por outras causas. Na saúde regredimos décadas.
As taxas da dívida portuguesa já atingem os 3%, quando eram praticamente 0,3% antes da crise, ou seja um aumento de dez vezes!!
Face à subida de taxas da Reserva Federal o Banco Central Europeu reuniu-se de urgência ontem e tomou um conjunto de medidas para acalmar os mercados. Decidiu criar um mecanismo anti fragmentação, embora não tivesse adiantado detalhes sobre como vai funcionar. A fragmentação referida é a diferença de taxas de juro entre as dívidas públicas dos vários países da zona Euro. A fragmentação revela uma fraqueza da moeda e reflete o facto de a arquitetura institucional da zona euro ser muito frágil. O risco subjacente é o de os países começarem a não ver vantagem na pertença à zona Euro.
A desagregação pode começar pela Itália. A taxa da dívida pública italiana subiu já para 4,3% quase o dobro de, por exemplo a taxa da dívida francesa.
Para já o BCE parece apostado em seguir o seu calendário de aumento das taxas diretoras em 0,5% em julho e setembro. Veremos se consegue cumprir este calendário e não será obrigado a tomar decisões diferentes.
Para Portugal tudo isto tem custos elevados. Ainda não atingimos o nível do PIB pré-pandemia e por isso temos a sensação de recuperação económica, mas não nos devemos deixar enganar. Os tempos que temos pela frente são de perca de poder de compra quer por via da inflação, quer por via da subida de taxas de juro dos créditos à habitação e outros. As empresas também enfrentam a subida do custo do financiamento. A austeridade está aí. Dura como sempre. A solução para muitos também é conhecida: a emigração.




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